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| NOVO! NEW! AGENDA + INFO 2009-2011 ONLY ON FACEBOOK | |||
| Crítica/Review CD MU0102 Kleine Musik Monica Hall, Lute News, The Lute Society Magazine, Number 89 in english |
April 2009 | ||
| Crítica/Review CD MU0103 Diaspora.pt João Gobern, Revista Sábado em português & in english |
11.02.2009 | ||
| Crítica/Review CD MU0103 Diaspora.pt Rui Pereira, Público, Ípsilon **** em português & in english |
06.02.2009 | ||
Crítica/Review CD MU0102 Kleine Musik |
February 2009 | ||
| Crítica/Review CD MU0103 Diaspora.pt M.A.G, JL Jornal de Letras, Artes e Ideias em português & in english |
Janeiro 2009 | ||
| Crítica/Review CD MU0103 Diaspora.pt Revista Time Out em português & in english |
Janeiro 2009 | ||
| Crítica/Review CD MU0103 Diaspora.pt Jorge Lima Alves, Expresso, Actual, Sugestão de Natal em português & in english |
13.12.2008 | ||
| Crítica de Concerto/Concert Review Festival de S. Roque Pedra Irregular Cristina Fernandes, Público **** em português & in english |
14.11.2008 | ||
| Reportagem/Report Sete Lágrimas Cristina Fernandes, Público, Ípsilon em português & in english |
20.06.2008 | ||
| Crítica/Review CD MU0102 Kleine Musik Revista Time Out em português & in english |
Setembro 2008 | ||
| Crítica/Review CD MU0102 Kleine Musik M.A.G, JL Jornal de Letras, Artes e Ideias em português & in english |
13-26 Ago 2008 | ||
| Crítica/Review CD MU0102 Kleine Musik Cristina Fernandes, Público **** em português & in english |
20.06.2008 | ||
Crítica/Review CD MU0102 Kleine Musik |
14.07.2008 | ||
| Reportagem/Report Sete Lágrimas Cristina Fernandes, Público em português & in english |
21.12.2007 | ||
| Crítica/Review CD MU0101 Lachrimae #1 Jean-Luc Bresson, Le Jouer de Luth (Société Française de Luth) en français |
June 2007 | ||
| Crítica/Review CD MU0101 Lachrimae #1 Pedro Boléo, Público em português & in english |
01.06.2007 | ||
| Crítica/Review CD MU0101 Lachrimae #1 Bernardo Mariano, Diário de Notícias em português & in english |
06.04.2007 | ||
| Opinião CD MU0101 Lachrimae #1 Ivan Moody, compositor e maestro in english |
2007 | ||
| Opinião CD MU0101 Lachrimae #1 Manuel Pedro Ferreira, musicólogo e crítico musical em português & in english |
2007 | ||
| Opinião CD MU0101 Lachrimae #1 Jorge Matta, musicólogo e maestro em português & in english |
2007 | ||
| Opinião CD MU0101 Lachrimae #1 Fernando Eldoro, maestro em português & in english |
2007 | ||
| Opinião CD MU0101 Lachrimae #1 Cristina Fernandes, musicóloga e crítica musical em português & in english |
2007 | ||
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MONICA HALL Schütz/Ivan Moody, Kleine Geistliche Konzerte Sete Lágrimas. Neither of these recordings includes anything in the way of lute interest but both feature some of the finest singing I have heard for a long time. (...) A theorbo does play a part in the continuo accompaniment to the schutz works, which have been selected from the two series of small-scale sacred works which have been selected from the two series of small-scale sacred works with Latin from German texts composed between 1636 and 1639. These alternate with works inspired by Schutz by the English composer, Ivan Moody and commissioned by the group Setelágrimas. The group are Portugal-based although not all members are Portuguese and Moody, a member of Greek Othodox Church and something of an authority on Iberian church music is therefore an apt choice as a collaborator. The three singers, soprano Ana Quinterna and tenors Filipe Faria and Sérgio Peixoto are suberb. As well as a basic continuo group of theorbo, viola da gamba and theorbo, some of the pices, ancient and modern, include obligato parts for various flutes and baroque oboe, all brilliantly played.
JOÃO GOBERN Atrás para seguir em frente Going backwards in order to go forwards
ROBERT LEVETT Kleine Musik Moody Anima mea liquefacta est. Eile mich, Gott, zu erretten. Die Furcht des Herren a 2. Habe deine Lust an dem Herren. Herr, ich hoffe darauf. Ihr heiligen, lobsinget dem Herren. Meister, wir haben die ganze Nacht gearbeitet. O misericordissime Jesu. Verbum caro factum est a 2. Schütz Anima mea liquefacta est, SWV263. Adjuro vos, filiae Hierusalem, SWV264. Eile mich, Gott, zu erretten, SWV282. Ihr heiligen, lobsinget dem Herren, SWV288. O misericordissime Jesu, SWV309. Habe deine Lust an dem Herren, SWV311. Herr, ich hoffe darauf, SWV312. Verbum caro factum est, SWV314. Meister, wir haben die ganze Nacht gearbeitet, SWV317. Die Furcht des Herren, SWV318. Sete Lágrimas (Ana Quintans, soprano; Filipe Faria, tenor; Inês Moz Caldas, flute/recorder; Pedro Castro, flute/oboe; Kenneth Frazer, viola da gamba; Duncan Fox, violone; Hugo Sanches, theorbo)/Sérgio Peixoto (tenor/harpsichord). MU Records MU0102 (full price, 1 hour 2 minutes). German and Latin texts included. Website www. murecords.com. Producers Filipe Faria, Sérgio Peixoto, Ivan Moody. Engineer João Diogo Pratas. Dates October and December 2007. "Kleine Musik" is a record of responses: by two composers to the same texts; by one composer to the music of another; by composer to performer; by performer to composer, music and text. The multiple intersections blaze up into a delicately powerful coalescence.
RUI PEREIRA Diáspora portuguesa Diaspora.PT Finalmente! Um agrupamento português toma como ponto de partida o riquíssimo repertório ibérico da música antiga, predominante português, e parte para uma ilustração musical de diáspora portuguesa à imagem do que têm feito outros ensembles estrangeiros de renome. Sem qualquer tipo de complexos, a ombrear mesmo com grupos de relevo, este projecto artistico do agrupamento Sete Lágrias é uma celebração musical delirante, feita com puro deleite. A escolha de repertório é belíssima, denotando a forte origem popular das diferentes paragens. Para além de diversos vilancicos, da morna, do ludum, de música de Macau, Timor, Cabo Verde, Ìndia, Brasil e México, para além da Península. Os músicos, dos quais destaco as assertivas percussões e guitarras, as surpreendentes vozes masculinas e as sonoridades encantadoras da flauta e do oboé barroco, estão em perfeita sintonia e contornam estilos diversos com grande mestria. Portuguese Diaspora
M.A.G Diaspora.pt: Sete Lágrimas, de Filipe Faria e Sérgio Peixoto, CD MU Records, 62'53'' Mais de cinco séculos de diáspora, de cruzamento de culturas e práticas musicais e o cuidado do projecto Sete Lágrimas, dos tenores Filipe Faria e Sérgio Peixoto, podem fazer deste disco um dos melhores exemplos da “world music” e levar o conceito ao extremo, quanto mais não seja pela dimensão espaço-temporal que o caracteriza. Mas Diaspora.pt merece mais do que um rótulo – merece o reconheciemnto da investigação que o sustenta, da totalidade que está na sua base e mantém viva a dinâmica de interacção musical entre Portugal e o mundo. O programa atravessa mais de 500 anos de música, dos Vilancicos negros do século XVI-XVII, vindos dos manuscritos de Santa Cruz de Coimbra, as expressões tradicionais como o Chorinho Brasileiro, as Mornas e Coladeiras, nas quais permanece o legado. O disco vai do Brasil a Macau, da Índia a África, da Europa e Timor, cruzando épocas, instrumentos, linguagens e estilos musicais que demonstram a universalidade da demanda e da cultura que lhe deu origem. Passo a passo, sucedem-se tesouros e revelações, todos tão raros e fascinantes como a pequena peça instrumental de Damião de Góis ou a lírica de Camões, sobre ricercada de Diego Ortiz, todos tão fortes e delicados como os vilancicos de Gaspar Fernandes ou as canções de Eugénio Tavares e Manuel Machado. A atracção do disco reside igualmente na qualidade dos intérpretes: além de Filipe Faria e Sérgio Peixoto, Rosa Caldeira (voz), Pedro Castro (oboé barroco e flauta doce), Inês Moz Caldas (flauta), Denys Stetsenko (violino barroco), Eurico Machado (guitarra portuguesa), Hugo Sanchez (alaúde), Tiago Matias (guitarras e tiorba), Duncan Fox (violone) e Fernando Marques Gomes (percussão). More than five centuries of diaspora, of crossing of cultures and musical practices and the care taken by Sete Lágrimas, directed by tenors Filipe Faria and Sérgio Peixoto, could make this disc one of the best example of world music and take the idea to its limits, if only on account of the spatial and temporal limits that characterize it. But Diaspora.pt deserves more than a label – it deserves recognition of the research that sustains it, of the totality that underlies it and keeps alive the dynamic of the musical interaction between Portugal and the world. The programme covers more than 500 years of music, from the black vilancicos of the 16th - 17th centuries, from manuscripts in the Monastery of Santa Cruz in Coimbra, traditional forms such as the Brazilian chorinho, mornas and coladeiras, which preserve their heritage. The disc roams from Brazil to Macau, from India to Africa, from Europe to Timor, crossing periods, instruments, langages and musical styles that show the universality of the demand and of the culture which gave rise to it. Step by step there appear treasures and revelations, all as rare and fascinating as the tiny instrumental piece by Damião de Góis and the poem by Camões on the ricercada by Diego Ortiz, all as strong and delicate as the vilancicos by Gasper Fernandes or the songs by Eugénio Tavares and Manuel Machado. The attraction of the disc lies both in the quality of the performers: apart from Filipe Faria and Sérgio Peixoto, Rosa Caldeira (voice), Pedro Castro (baroque oboe and recorde), Inês Moz Caldas (recorder), Denys Stetsenko (baroque violin), Eurico Machado (Portuguese guitar), Hugo Sanchez (lute), Tiago Matias (guitars and theorbo), Duncan Fox (violone) and Fernando Marques Gomes (percussion).
TIME OUT, JANEIRO 2009 # CRÍTICA Diaspora.pt Na linha de alguns discos recentes de Jordi Savall, como Diáspora Sefardi, Paraísos Perdidos ou A Rota do Oriente, em Diaspora.pt o ensemble português de música antiga Sete Lágrimas propõe um itinerário pelo tempo e pelo espaço – neste caso o fio condutor é a expansão da língua e cultura portuguesas pelo mundo, decorrente dos Descobrimentos, e a sua miscigenação com as tradições dos povos “descobertos”. Tal como tem acontecido nos referidos discos de Jordi Savall, o Sete Lágrimas não só aproxima tradições musicais de diferentes culturas como esbate a distinção entre músicas de proveniência erudita e música de origem popular. O CD inclui vários vilancicos dos séculos XVI e XVII compostos quer em Portugal, quer além-mar, e dois deles fazem parte da colecção de “vilancicos negros” ou “negrillas” do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, que foi recentemente alvo de gravação pelo Coro Gulbenkian. O Sete Lágrimas escolhe uma abordagem radicalmente diversa do Coro Gulbenkian: recorre apenas a duas vozes e dá proeminência às cordas dedilhadas e percussão. In line with some recent discs from Jordi Savall, such as Diáspora Sefardí, Paraísos Perdidos and The Route to the Orient, on Diaspora.pt, the Portuguese early music group Sete Lágrimas presents us with an itinerary through time and space – in this case the connecting thread is the spread of Portuguese language and culture through the world, at the time of the Discoveries, and its mixing with the traditions of the “discovered” peoples. As has been the case with the above-mentioned discs by Jordi Savall, Sete Lágrimas does ot onyl bring together different musical traditions, but erodes the distinction between art music and popular music. The CD includes a number of vilancicos from the 16th and 17th centuries, written both in Portugal and abroad, and two of them are from the collection of “black vilancicos” of the Monastery of Santa Cruz in Coimbra, recently recorded by the Gulbenkian Choir. The approach of Sete Lágrimas is radically different from that of the Gulbenkian Choir: only two voices are used, and plucked strings and percussion are prominent.
JORGE LIMA ALVES Sete Lágrimas Para “cantar” a diáspora portuguesa o grupo Sete Lágrimas (dirigido por Filipe Faria e Sérgio Peixoto) juntou as vozes de Rosa Caldeira e do fadista António Zambujo. A obra resultante propõe uma belíssima viagem no tem e no espaço através de vilancicos do século XVI, chorinhos brasileiros e mornas cabo-verdianas, a par de música tradicional de Macau, Goa ou Timor. Uma prenda inestimável! In order to “sing” the Portuguese diaspora, the group Sete Lágrimas (directed by Filipe Faria and Sérgio Peixoto) added the voices of Rosa Caldeira and the fado singer António Zambujo. The result is a beautiful journey through time and space by means of vilancicos from the 16th century, Brazilian chorinhos and Cape Verdian mornas, as well as traditional music from Macau, Goa and Timor. A gift beyond price!
CRISTINA FERNANDES Revelações do Barroco em Portugal
Vocacionado para a música antiga e contemporânea, o Sete Lágrimas Consort constitui um dos mais interessantes projectos surgidos em Portugal, nos últimos tempos, conforme se pode comprovar através de dois CD já editados (Lachrimae #1 e Kleine Musik), aos quais se seguirá, em breve, Diaspora.pt. Dirigidos pelos tenores Filipe Faria e Sérgio Peixoto, o grupo apresentou no ciclo Música em São Roque um criterioso programa intitulado “Pedra Irregular – O Nascimento do Barroco em Portugal”. De Diogo Dias de Melgaz, um dos últimos vultos da Escola de Évora, a António Teixeira e Francisco António de Almeida (bolseiros em Roma a expensas de D. João V), passando por Henrique Correia, Carlos Seixas e Scarlatti, foi traçado um percurso com algumas das mais belas obras escritas entre os finais do século XVII e meados do século XVIII. O repertório sacro apresentado foi concebido para coro (com ou sem solistas) e baixo contínuo, mas o Sete Lágrimas interpretou-o apenas com três cantores, atribuindo algumas das restantes partes a instrumentos (oboé e violino barroco) e contando com um grupo de baixo contínuo generoso (violoncelo, duas tiorbas e cravo). Algumas obras vocais (de Melgaz, Teixeira e Almeida) foram tocadas apenas em versão instrumental e as restantes foram objecto de combinações vocais e instrumentais variadas, que permitiram acentuar os contrastes da textura musical e obter ambientes tão diversos como o intimismo contemplativo da Lamentação, de Almeida, ou a exuberância italianizante dos Responsórios de Carlos Seixas, do Responsório Si quaeris miracula ou do Motete Justus ut palma florebit, de Almeida. O colorido que se ganhou desta forma mostrou facetas que outras interpretações deixam na sombra. Mas se o resultado foi revelador, esta atitude é susceptível de algumas reflexões musicológicas. Várias destas peças foram certamente cantadas na Patriarcal de D. João V, que contava com um coro de italianos de alto nível e cultivava um cerimonial monumental, mas também não é impossível que tivessem sido feitas com uma voz por parte noutros locais (prática documentada em Portugal nas décadas seguintes). O uso de um conjunto vocal mais amplo seria talvez mais fidedigno, mas os Sete Lágrimas não se definem como um grupo filiado nas “interpretações historicamente informadas” no sentido convencional, embora tenham formação nessa área. Preferem apostar na experimentação e na recriação do repertório, de resto uma tendência cada vez mais comum também a nível internacional. Com timbres de cores suaves, as vozes de Filipe Faria e Sérgio Peixoto combinaram-se com elegância e bom gosto e a soprano Mónica Monteiro teve uma prestação de crescente eloquência que culminou nas páginas de Almeida, precisando apenas de aperfeiçoar alguns detalhes nas passagens mais virtuosísticas. A clareza de fraseados do oboé de Andreia Carvalho, num sugestivo diálogo com o violino de Denys Stetsenko, e um grupo de contínuo que nunca incorreu na monotonia completaram um trabalho de conjunto de grande consistência técnica e artística. Specializing in early and contemporary music, the Sete Lágrimas Consort is one of the most interesting groups to have arisen in Portugal in recent years, as one may tell from the two Cds already issued (Lachrimae #1 and Kleine Musik), which will be shortly followed by Diaspora.pt. Directed by the tenors Filipe Faria and Sérgio Peixoto, the group gave, in the Música em São Roque series, a carefully-selected entitled “Pedra Irregular – O Nascimento do Barroco em Portugal” (Irregular Stone – The Birth of the Baroque in Portugal). From Diogo Dias de Melgaz, one of the last masters of the Évora school, to António Teixeira and Francisco António de Almeida (both of whom were sent to Roma under the patronage of King John V), and including Henrique Correia, Carlos Seixas and Scarlatti, was traced a path through some of the most lovely works written between the end of the 17th century and the mid-18th century. The sacred repertoire performed was written for choir (with or without soloists) and basso continuo, but Sete Lágrimas performed it with only three singers, some of the other parts being given to instruments (oboe and baroque violin) and a generous continuo section ('cello, two theorboes and harpsichord). Some vocal works (by Melgaz, Teixeira and Almeida) were played exclusively instrumentally, and the others were the objects of varied vocal and instrumental combinations, which accentuated contrasts in musical texture and atmospheres as varied as those as the contemplative intimacy of the Lamentation by Almeida, or the italianate exuberance of the Responsories by Carlos Seixas, the Responsory Si quaeris miracula or the motet Justus ut palma florebit, by Almeida. The colouring thereby gained showed facets that other performances leave in the shade. But while the result was revelatory, this attitude provokes some reflections of a musicological nature. Several of these pieces were certainly sung at the Patriarchal chapel of King John V, which included an Italian choir of the highest level and cultivated a monumental ceremonial, but it is also not impossible that they were done by single voices in other places (a practice documented in Portugal in the following decades). The use of a larger vocal consort would perhaps be more faithful, but Sete Lágrimas is not a group that adheres to the idea of “historically informed performances” in the conventional sense, though they received training in this area. They prefer experimentation with and recreation of the repertoire, a tendency increasingly visible internationally. Smooth in timbre and colour, the voices of Filipe Faria and Sérgio Peixoto bended together with elegance and good taste, and the soprano Mónica Monteiro performed with increasing eloquence, reaching a peak in Almeida's music, needing only to perfect a few details in the more virtuosic passages. The clarity of the phrasing of Andreia Carvalho's oboe, in evocative dialogue with Denys Stetsenko's violin, and a continuo group that never fell into monotony completed some ensemble music-making of great technical and artistic consistency.
CRISTINA FERNANDES "Fazer voar a música
O que têm em comum um compositor luterano do barroco alemão e um ortodoxo grego do século XXI? No seu segundo CD o grupo Sete Lágrimas quis mostrar como as músicas de Schütz e de Ivan Moody se iluminam mutuamente. O italiano extrovertido e o intimismo alemão Os dois tenores já tinham cantado várias obras de Ivan Moody e a ideia de o convidar a participar foi consensual. O projecto começou a ser delineado há dois anos e foi posto em prática com o apoio do Ministério da Cultura, que elogiou a sua originalidade conceptual. Abordagem contemporânea O projecto teve ainda outra convidada: a soprano Ana Quintans. "Estávamos a actuar com o Coro Gulbenkian e de repenta entra uma jovem soprano portuguesa para cantar a Missa em Dó menor de Mozart", conta Filipe Faria. "Fizemos-lhe o convite para colaborar com o Sete Lágrimas logo nessa noite e foi aceite. Ana Quintans já não está só limitada às nossas fronteiras, é um assombro de musicalidade e de seriedade. Nunca tinha abordado este repertório, mas deixou-nos sem palavras durante a gravação." Novos projectos Sérgio e Filipe gostavam que esse novo projecto"viesse mudar a mentalidade fechada que existe em Portugal". "Temos intérpretes muito bons que fazem música antiga de acordo com as práticas de execução históricas e gostamos muito de ouvir, mas não é essa a nossa intenção", diz Filipe. Em "Daspora .PT" evocam-se repertórios influenciados pela música portuguesa no mundo. "Começamos em Portugal com Vilancicos de Negro (género coral que utiliza várias línguas e dialectos de influência mestiça), passamos por Cabo Verde com a morna, por Goa, Macau, Timor, o México e o Brasil. A ideia da diáspora tem ramificações: o português que saiu para a América do Sul no século XVI e que compôs baseado nas tradições orais que recolheu, mas também os músicos que em Portugal se inspiraram em fórmulas novas que ouviam interpretar aos escravos africanos", explica Sérgio. "Teremos também músicos convidados, como o fadista António Zambujo." Filipe acrescenta que "não é um projecto musicológico, mas totalmente estético e conceptual" que implicou meses de trabalho sobre as partituras: Recriámos do primeiro ao último compasso todas as peças."
TIME OUT, SETEMBRO 2008 # CRÍTICA Kleine Musik Na década de 1630, com a Alemanha arrasada pela Guerra dos Trinta Anos, Heinrich Schütz (1585-1672) viu-se forçado a canalisar o seu génio para obras conformes àqueles tempos de penúria e compôs os dois livros de Kleine Geistliche Konzert (Pequenos Concertos Sacros) reunindo 55 peças destinadas de uma cinco vozes e baixo contínuo, em que a magreza dos efectivos e a ausência de magnificência é contabalançada por sublime expressividade. 370 anos depois, o grupo Sete Lágrimas encomendou a Ivan Moody (n. 1964), compositor britânico residente em Portugal, peças sobre os mesmos textos a que Heinrich Schütz recorrera e empregando efectivos semelhantes, e registou no mesmo disco, em alternância, as obras do século XVII e os seus reflexos do século XXI. O resultado é um diálogo admirável, com muito mérito para Moody, que consegue estar em sintonia com o espírito de Schütz sem cair num neo-barroquismo espúrio. Os tenores Filipe Faria e Sérgio Peixoto, que lideram o ensemble, e a soprano Ana Quintans, dão provas de engenho e arte (...). A gravação é clara e confere presença sólida a vozes e instrumentos. In the 1630s, with Germany decimated by the Thirty Years' War, Heinrich Schütz (1585-1672) was obliged to channel his genius into works more appropriate to those penurious times, and wrote his two books of Kleine Geistliche Konzerte (Little Sacred Concertos), bringing together 55 pieces intended for five voices and continuo, in which the spareness of the forces and the lack of ostentation is counterbalanced by sublime expressivity. 370 years later, the group Sete Lágrimas commissioned from Ivan Moody (b.1964), a British composer resident in Portugal, works on the same texts that Heinrich Schütz had used, and employing similar forces, and recorded on the same disc, in alternation, the 17th-century works and their 21st- century reflections. The result is an admirable dialogue, with much praise due to Moody, who manages to be in tune with the spirit of Schütz without falling into a spurious neo-baroquery. The tenors Filipe Faria and Sérgio Peixoto, who direct the group, and the soprano Ana Quintans, offer evidence of inventiveness and art (...). The recording is clear and voices and instruments have a solid presence.
M.A.G. A Grande Música O maior compositor alemão do Barroco intermédio, Heinrich Schutz, os seus Pequenos Concertos Espirituais (Kleine Geistliche Konzerte), a revisitação dessas peças por um compositor britânico contemporâneo há muito fixado em Portugal, Ivan Moody, e o projecto, bem amadurecido, dos tenores Filipe Faria e Sérgio Peixoto, Sete Lágrimas. O conjunto dá origem a um dos mais belos discos de edição nacional, surgidos nos últimos anos. O grupo Sete Lágrimas nasceu há cerca de uma década como o nome L,Antica Musica. Formado por dois cantores do Coro Gulbenkian, surgiu com o objectivo de ultrapassar barreiras mais ou menos convencionadas entre diferentes repertórios, fossem de música antiga ou contemporânea, ou mesmo testemunho de diferentes "diásporas", como futuros projectos discográficos o atestam. Sucederam-se assim anos de trabalho e de concertos, até ao momento em que editaram o primeiro disco, Lachrimae # 1. Foi em 2007, quando Filipe Faria e Sérgio Peixoto já tinham adoptado a designação Sete Lágrimas, a partir das sete variações Lachrimae, de John Downland, sobre Flow my Tears. O programa do primeiro disco demonstrava a atitude única do agrupamento. Obras de Giovanni Martini, Corelli e Schutz, a par de salmos protestantes franceses, com quase dois séculos de distância entre si, cruzavam universos e modos de vida, cuja soma parecia revelar um sentir comum - uma dor que não podia deixar de ser comum -, no confronto que dividia a Europa entre os diferentes credos. O novo disco impõe mais uma vez o "desassossego". Dos cerce de 50 Pequenos Concertos Espirituais de Heinrich Schutz, incluídos nos volumes de 1636 e 1639, nove deles são revisitados pelo compositor contemporâneo Ivan Moody, que não só conhece as características muito próprias da música antiga, como sabe da convicção necessária para compr música sacra - nenhuma simulação é possível, perante si mesmo e muito menos perante a verdade de Schutz. Os Pequenos Concertos Espirituais surgiram em plena Guerra dos 30 anos. Usam várias fontes, do Antigo Testamento a Santo Agostinho. Os textos (e os instrumentos de época) são retomados por Ivan Moody, como num "jogo de espelhos", conforme confessa na apresentação do CD: Reflectir como num espelho era ideia central deste projecto, devendo estar presente que todos os espelhos distorcem". E essa é a grande lição deste disco, o que o transforma em algo único e magnifíco. O idioma do britânico ortodoxo - facto bem patente na sua obra sacra - em tudo difere, como é óbvio, da expressão do genial compositor luterano seiscentista. No entanto, parafraseando Moody e a sua citação de São Paulo aos Coríntios, que "ponto de chegada" poderá ser mais rico "do que o esforço de reflectir e complementar um Mestre, como através de um espelho, em enigma?" As vozes de Sérgio Peixoto, Filipe Faria e, em particular, da soprano Ana Quintans materializam as melhores respostas, acompanhadas por Inês Moz Caldas (flauta de bisel), Pedro Castro (flauta e oboé barroco), Kenneth Frazer (viola da gamba), Duncan Fox (violone) e Hugo Sanchez (teorba). Juntos fazem com que a música corra, expressiva, exigente, atenta ao pormenor, à eloquência imposta pelo mestre e pelo próprio enigma. "Great Music”
CRISTINA FERNANDES Jogo de Espelhos O segundo CD do agrupamento Sete Lágrimas combina a espiritualidade do barroco alemão com o olhar contemporâneo. Kleine Musik, Sete Lágrimas Consort, Filipe Faria e Sérgio Peixoto (tenores, cravo e direcção), Ana Quintans (soprano), Murecords MU0102 Depois de uma estreia discográfica auspiciosa com "Lacrimae #1", o agrupamento Sete Lágrimas acaba de lançar mais uma gravação de grande consistência artística e conceptual. "Kleine Musik" combina uma selecção de peças extraídas dos "Pequenos Concertos Espirituais", de Henrich Schutz (1575-1672), com obras compostas para o grupo sobre os mesmos textos por Ivan Moody (n.1964), num deliberado jogo de espelhos. A combinação entre música antiga e contemporânea pode encontrar-se em vários projectos discográficos internacionais, mas tem sido bastante rara no contexto português. "Kleine Musik" não é apenas uma conjugação de universos cuidadosamente estudada, onde a música de Schutz serve de inspiração ao olhar contemporâneo de Ivan Moody através de um reflexo de processos criativos que usam diferentes linguagens. É também uma justa homenagem a Schutz, um dos maiores compositores da história da música, que tem estado quase sempre ausente dos programas de concerto em Portugal, mas que faz parte do repertório do Sete Lágrimas desde o início da sua actividade. Se os pequenos trechos do compositor alemão incluídos no primeiro CD se encontravam entre as interpretações mais conseguidas dos tenores Filipe Faria e Sérgio Peixoto, neste segundo trabalho confirma-se a sua afinidade com a estética do compositor alemão e com a sua expressividade profunda e intimista. As suas vozes fundem-se bem ao nível do timbre e nota-se uma sintonia cuidada dos fraseados e das intenções retóricas, bem como uma cumplicidade eficaz com a componente instrumental, a cargo de intérpretes experientes no âmbito da música antiga. As faixas mais impressionantes do disco devem-se, porém, à interpretação de Ana Quintans, pelo seu elevado nível técnico, pelo brilho vocal e pela força emocional. A soprano, que tem feito carreira internacional no repertório barroco, soube também adaptar-se ao universo menos familiar de Ivan Moody – ouça-se, por exemplo, "O Misericordissime Jesu", na faixa 12. Este compositor britânico, a residir em Portugal Há vários anos, tem escrito outras obras com instrumentos antigos, conhecendo bem os seus recursos e especificidades. A sua estética não procura o radicalismo, nem tem a obsessão da vanguarda. Mostra antes um certo despojamento, mesmo quando od processos de composição são mais intrincados, e a captação de uma atmosfera onde a espiritualidade é um elemento bem presente. A transição entre o antigo e o novo pode ser uma tarefa arriscada mas neste caso é conseguida de forma convincente, tanto pelo conteúdo musical como pela coerência interpretativa.
BERNARDO MARIANO O Sete Lágrimas, do[s] tenor[es] Filipe Faria e (...) Sérgio Peixoto, editou o CD Kleine Musik, projecto que cruza Heinrich Schütz (1585-1672) e Ivan Moody (n. 1964), compositor britânico residente em Portugal e que consistiu em cantar nove Kleine Geistliche Konzerte de Schütz e pedir a Moody que musicasse os mesmos textos (encomenda do Sete Lágrimas), procurando intersecções (reflexos em espelhos deformantes) de passado e presente e abrindo-se às confluências entre o luteranismo "temperado" pela Itália de Schütz e do modernismo eivado da música das igrejas orientais do próprio Moody. O resultado aí está, com a estreia absoluta das noves pequenas obras de Moody, sendo que duas delas são para cravo solo. O Sete Lágrimas conta, para lá do par de vozes citadas, com o concurso do soprano Ana Quintans e de um quinteto instrumental de bisel, oboé, gamba, violone e tiorba. Desafio ganho, na medida em que o acerto, beleza e propriedade das vozes, o ambiente das linhas instrumentais por trás e o contraste estabelecido entre as linguagens barroca e moderna funciona muito bem. Boa dicção do alemão (...). Som excelente. Sete Lágrimas, directed by the tenors Filipe Faria and (...) Sérgio Peixoto, has published the CD Kleine Musik, a project that crosses Heinrich Schütz (1585-1672) and Ivan Moody (b. 1964), the British composer resident in Portugal, which consisted of the performance of nine of the Kleine Geistliche Konzerte by Schütz and asking Moody to set the same texts (commissioned by Sete Lágrimas), seeking intersections (reflections in distorting mirrors) of the past and the present and opening out to the confluences between Schütz's Lutheranism “tempered” by Italy and the modernism refracting the eastern Churches of Moody himself. The result is there, with the world première od nine short works by Moody, two of them for solo harpsichord. Sete Lágrimas includes, as well as the two voices mentioned, the soprano Ana Quintans and an instrumental quintet of recorder, oboe, gamba, violine and theorbo. The challenge has been met, in that the precision, beauty and quality of the voices, the atmosphere of the instrumental lines behind and the contrast made between the baroque and modern languages works extremely well. Good German pronunciation (...). Excellent sound.
CRISTINA FERNANDES Movimentos da Música Antiga: O panorama começa a movimentar-se em Portugal, multiplicando-se com novas iniciativas. (...) o panorama da música antiga em Portugal começa a movimentar-se e a multiplicar-se em novas iniciativas. A maior parte deve-se à existência de uma nova geração de jovens intérpretes que se têm especializado no estrangeiro (...) mas não só. (...) O Sete Lágrimas Consort lançou o seu primeiro disco ("Lachrimae #1") na sua própria editora e [Filipe Faria] tem sido responsável pela direcção artística do Festival Terras sem Sombra no Baixo Alentejo, importante foco de divulgação de jovens intérpretes portugueses nesta área. (...)" The early music scene is beginning to come alive in Portugal, with many new initiatives. (...) Most owe their existence to a new generation of young performers who have studied abroad (...) but not only. (...) The Sete Lágrimas Consort launched its first disc ("Lachrimae #1") on its own label and has been responsible for the artistic direction of the Terras sem Sombra Festival in Baixo Alentejo, an important focus of dissemination for young Portuguese performers working in this area (...)
JEAN-LUC BRESSON
Le titre annonce d’emblée un climat poétique sans équivoque: «Larmes». Cet enregistrement regroupe en effet des pièces vocales et instrumentales présentant un lien direct avec ce théme. La composition de l’ensemble fait alterner de lentes polyphonies aux profondeurs abyssales et quelques pièces plus enjouées que l’on trouve en particulier dans deux suites de Corelli (Sonata da Chiesa n.º 7 et Sonata da Chiesa n.º 6). Les oeuvres réunies ici sont issues des répertoires français, italien et allemand. On y trouve des pièces de Giovanni Battista Martini (1706-1784), d’Archangello Corelli (1653-1713) et d’Heinrich Schütz (1585-1672). L’atmosphére qui domine évoque une poignante méditation déclinée selon différents modes, d’une oeuvre à l’autre. Dès les primières secondes, l’auditeur est saisi apr le climat emprunt de spiritualité qui domine l’ensemble. Il est invité à emprunter les voies d’une temporalité tournée vers l’interieur. Le temps s’écoule en longues plages sensibles. La pochette de ce disque montre la photographie d’un visage, surexposée au point de confiner à la plus parfaite blancheur. L’image conduit vers le blanc comme la méditation conduit vers le silence, ce silence qui émane des «limbes insondés de la tristesse» selon l’expression chére à Baudelaire. Si dans cet enregistrement la voix joue un rôle essentiel comme céhicule de l’émotion diffusée, elle est sotenue par de beaux accompagnements.
PEDRO BOLÉO
De chorar por mais Duas boas notícias: a primeira é a estreia em disco de um projecto musical já com alguns anos actividade chamado Sete Lágrimas, um grupo que deu os primeiros passos em 2000, ainda com o nome L’Antica Musica. a segunda boa notícia é que, no mesmo gesto, surgiu uma nova editora a Mu Records. Este disco é sinal de uma capacidade de iniciativa de jovens músicos (neste caso dois tenores do Coro Gulbenkian) que deve ser saudada. Ainda por cima quando o disco «Lachrimae #1» é resultado de um trabalho musical cuidado, com algumas boas escolhas entre o repertório da música renascentista e barroca. As vozes de Filipe Faria e Sérgio Peixoto seguram com muita sensibilidade as linhas das polifonias de autores anónimos do século XVI e de peças de Giovanni Battista Martini (1706-1784). O conjunto instrumental cumpre bem a sua função, acompanhando as vozes, participando activamente na polifonia ou interpretando Sonatas e Corelli de finais do século XVII. Fica a sensação de que podia ir ainda mais longe na exploração tímbrica dos instrumentos e dar mais energia ao conjunto (mesmo se é um tom melancólico o que se procura em certas peças). Mas o resultado final é, sem dúvida, de muita qualidade. Cry for more.
BERNARDO MARIANO O disco é o primeiro da portuguesa Mu Records. Nele, o ensemble Sete Lágrimas [...] interpreta três motetes do católico Martini, quatro Kleine geistliche Konzerte, do luterano Schütz, duas Sonate da Chiesa do op. 3 de Corelli e três cânticos protestantes franceses (dois da calvinista Genebra). Combinação interessante de obras [...] e interpretações de bom nível, sobretudo nas peças francesas e nos motetes. The disc is the first from the Portuguese label Mu Records. On it, the ensemble Sete Lágrimas [...] performs three motets by the Catholic Martini, four Kleine geistliche Konzerte by the Lutheran Schütz, two Sonate da Chiesa from Corelli's op. 3 and three French Protestant hymns (two from Calvinist Geneva). An interesting combination of works (...) and performances of a high level, especially the French pieces and the motets.
IVAN MOODY Melancholy, as Dowland knew, may include an element of joy – a secular counterpart to the Greek word harmolipi, describing a spiritual state that consists precisely in experiencing «joy in sorrow». Tears, therefore, able to betray both sadness and joy, are a natural expression of this state; and seven of them (Sete Lágrimas – Seven Tears) recall the seven sorrows and seven joys of the Virgin, the seven last words from the Cross, and – why not? – the seven hills upon which both Rome and Lisbon are said to be founded. The tears encapsulated in the music recorded by this ensemble, centred around two young Portuguese tenors, were real enough, and reflect not only the tragic aspects of the life of Christ on earth, but also years of religious persecution. In other words, the tears are human. The beauty and refinement of the performances and the elegance of the recorded sound, as well as, most importantly, the sense of an internal tempo, paradoxically serve to record human weakness with something very close to perfection.
MANUEL PEDRO FERREIRA Neste seu primeiro CD, o grupo Sete Lágrimas oferece-nos uma confirmação da maturidade artística que a interpretação de música antiga alcançou em Portugal. Exemplo de sensibilidade e bom gosto, faz-nos esquecer que na sua base estão raras competências técnicas, adquiridas durante anos de esforçada aprendizagem. De facto, a música flui, judiciosamente equilibrada e fraseada, sem que os detalhes deixem de ser transparentes, oferecendo-se à degustação do ouvinte. As vozes fundem-se admiravelmente e os instrumentos revelam um entendimento plenamente partilhado. A proposta de repertório é, de alguma forma, ousada, não apenas por justapor melodias sobre traduções francesas dos Salmos, de Marot, cantadas em estilo de discante, a peças de Heinrich Schütz e belos, embora pouco conhecidos, responsórios do célebre padre Martini, mas também porque os tempos distendidos, convidando à contemplação, contrariam a pressa inconsequente dos tempos que correm. No livrete que acompanha o disco, lê-se que Dowland reivindica as Lágrimas como expressão não só de tristeza, mas também de alegria interior. É esta alegria que, lentamente, vai escorrendo deste disco, para ouvidos que a saibam recolher e ecoar. In this first CD, Sete Lágrimas gives us confirmation of the artistic maturity that the performance of early music has reached in Portugal. An example of sensitivity and good taste, it makes one forget that underlying it are rare technical skills, acquired over the course of years of applied learning. Indeed, the music flows, judiciously balanced and phrased, without the details losing visibility, offering themselves the for listener's delectation. The voices blend admirably and the instruments show an understanding that is fully shared. The choice of repertoire is in some senses daring, not only in the juxtaposition of melodies on French translations of the Psalms, by Marot, sung in descant style, with pieces by Heinrich Schütz and beautiful, though little-known, responsories by the famous Padre Martini, but also because the relaxed tempi, inviting contemplation, work against the inconsequential hurry of today. In the booklet accompanying the disc, one reads that Dowland saw tears not only as symbols of sadness, but also of internal joy. It is this joy that, slowly, flows out of this disc, for ears that know how to receive it.
JORGE MATTA
Afinação, fusão, sensibilidade contida, um hino ao bom gosto, um belo trabalho do grupo Sete Lágrimas. Apetece sentar, baixar a luz e, simplesmente, ouvir! Bravo! Tuning, blend, restrained sensitivity, a hymn to good taste, wonderful work by the group Sete Lágrimas. It makes you want to sit down, turn down the lights and simply listen! Bravo!
FERNANDO ELDORO
Gratificante revelação de dois jovens cantores portugueses que decidiram apaixonar-se pela música vocal dos séculos XVI e XVII e transformá-la num acto milagroso. A gratifying revelation of two young Portuguese singers who decided to fall in love with the vocal music of the 16th and 17th centuries and transform it into something miraculous.
CRISTINA FERNANDES
Sob o sugestivo título Lachrimae #1, o programa do primeiro CD do Sete Lágrimas Consort percorre um período temporal que se estende dos finais do século XVI ao século XVIII onde se cruzam várias tradições e estilos musicais (francês, italiano, germânico) e a expressão ritual de vários credos religiosos (catolicismo, protestantismo) unidos por fios condutores evidentes ou subtis. O tema das lágrimas como expressão da dor, do sofrimento íntimo ou colectivo, da melancolia, da fé ou da intolerância religiosa estão implícitos em quase todas as épocas no contexto de criação de várias peças musicais ou no seu próprio conteúdo, atingindo uma expressão particularmente rica e tocante no período barroco. Por outro lado, a voz que canta (mas também chora) é um elemento primordial intrínseco à própria natureza da música, que é aqui entendida de forma abrangente estendendo-se à aspiração que conduziu compositores e intérpretes da época barroca a tentar igualar a eloquência da voz humana na música instrumental. Under the evocative title Lachrimae #1, the programme of the first CD by the Sete Lágrimas Consort covers a period of time running from the end of the 16th century to the 18th century, in which various musical traditions and styles (French, Italian, Germanic) and the ritual expression of various religious creeds (Catholicism, Protestantism) linked by obvious or subtle connecting threads. The theme of tears as an expression of pain, or intimate or collective suffering, melancholy, faith or religious intolerance are implicit in almost all periods in the context of the creation of various musical works, or in their actual content, reaching a particularly poignant peak in the baroque era. On the other hand, the voice that sings (and also weeps) is a primordial element, intrinsic to the very nature of music, which is understood here as an overall form reaching even the aspiration that led composers and performers of the baroque period to rival the eloquence of the human voice in instrumental music. |
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Youtube Sete Lágrimas channel www.youtube.com/setelagrimas |
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